Cuidados com o coração da mãe e do bebê

18 outubro 2018 | Postado por Casinha da Cys

Feira da Gestante e da Criança no RioMar Recife outubro de 2018
As cardiopatias congênitas não têm causa definida, ocorrem pela interação de fatores genéticos e ambientais. No entanto, está comprovado que existem algumas situações que podem contribuir para o aumento do risco dessa condição. Mães com mais de 35 anos, históricos de filhos anteriores cardiopatas, mães diabéticas, portadoras de lúpus e hipotireoidismo, mães que apresentaram toxoplasmose ou rubéola ou aquelas que fizeram uso de anticonvulsivos, antiinfamatórios, ácido retinóico, lítio durante a gravidez podem aumentar as chances de alterações na formação do coração do feto. Gravidez de gêmeos, múltiplos ou fertilização in vitro também podem ter influência.

Parecer cardiológico da gestante 
O pré-natal bem feito tem importância vital no sucesso da gestação, trazendo segurança tanto para mãe quanto para o feto. Hoje se entende que, devido a frequência das complicações relacionadas as cardiopatias e principalmente à hipertensão na gravidez (que pode chegar a 10% das gestações), a avaliação da gestante por um cardiologista é fundamental para diminuir os riscos de pré-eclâmpsia/eclâmpsia e AVC, durante a gestação, parto e puerpério. O parecer cardiológico é realizado por meio do ecocardiograma direcionado para as necessidades da gestante. Caso seja detectada alguma necessidade especial, o acompanhamento é iniciado por um cardiologista especializado na saúde do coração da gestante. Mulheres em idade fértil que planejem engravidar ou gestantes com diabetes, hipertensão crônica, doenças renais, doenças autoimunes ou problemas de coagulação, portadoras de cardiopatia, obesas e acima de 35 anos de idade devem fazer uma avaliação pormenorizada com cardiologista.  

Ecocardiograma fetal
Com alta tecnologia, o coração da criança também começa a ser examinado e cuidado antes mesmo do nascimento.O exame de ecocardiograma fetal deve ser realizado entre a 22ª e 28ª semana de gestação, mesmo nos casos de baixo risco. Um exame simples, mas de extrema importância, porque garante diagnósticos precoces, o início do tratamento intra útero, a prevenção de problemas futuros, a preparação para um parto adequado e o encaminhamento cirúrgico, quando necessário. Os aparelhos de ecocardiograma fetal tridimensional com reconstrução dinâmica sequencial mostram o coração espacialmente, como se o observador estivesse dentro do corpo do bebê, ainda no útero materno, permitindo visualizar todas as estruturas cardíacas externas e internas em detalhes.

Teste do Coraçãozinho
Incorporado aos testes de triagem em neonatais do SUS, em 2014, o Teste do Coraçãozinho é um exame simples, indolor, rápido e não invasivo, que pode indicar a probabilidade da criança ter uma cardiopatia congênita grave.Também chamado de Oximetria de Pulso e recomendado pela Sociedade Brasileira de Pediatria, o teste deve ser feito ainda na maternidade, antes da alta do bebê, como triagem de rotina para os recém-nascidos. Ele mede a concentração de oxigênio no sangue e pode detectar um defeito cardíaco, para que a criança inicie o tratamento o mais rápido possível.

Diagnóstico precoce
As cardiopatias podem ser suspeitadas durante a gestação pelo ultrassom morfológico e confirmadas pelo ecocardiograma fetal ou ainda com a ajuda do teste do coraçãozinho, que é feito na maternidade. Outra forma de diagnóstico é por exame físico realizado pelo pediatra com ajuda de exames complementares como raio x de tórax, eletrocardiograma, ecocardiograma, cateterismo, holter de 24h e angiotomografia. O diagnóstico precoce pode salvar a vida da criança, principalmente em cardiopatias congênitas mais graves, quando o parto deve ser planejado e a criança precisa ser operada nos primeiros dias de vida. As cardiopatias congênitas podem ser prevenidas em parte através da vacinação contra a rubéola e do consumo de ácido fólico. Algumas cardiopatias não necessitam de tratamento. Outras podem ser tratadas de forma eficaz com procedimentos com cateteres ou cirurgia cardiovascular. Em alguns casos podem ser necessárias várias cirurgias. Em outros, podem ser necessários transplantes de coração. Com tratamento apropriado, o prognóstico é geralmente bom, mesmo dos problemas mais complexos.

Números
No Brasil, uma em cada 100 crianças nasce com alguma alteração na estrutura ou na função do coração. Por ano, cerca de 28 mil crianças nascidas no país são cardiopatas, representando 1% da população. Pelo  menos 23 mil desses bebês precisam de atendimento diferenciado e de cirurgia cardíaca. No entanto, estima-se que 18 mil deles (78%) sequer recebem o tratamento, muitas vezes por falta de diagnóstico, aumentando os índices de mortalidade neonatal. 

Cardiopatia congênita é qualquer anormalidade na estrutura ou função do coração que surge nas primeiras 8 semanas de gestação, período em que se forma o coração do bebê. Ocorre por uma alteração no desenvolvimento embrionário da estrutura cardíaca, mesmo que descoberto anos mais tarde. As cardiopatias congênitas mais comuns incluem alteração em alguma válvula cardíaca, que influencia no fluxo sanguíneo dificultando ou impedindo sua passagem, alterações nas paredes do coração levando a comunicações cardíacas que não deveriam existir e mistura do sangue oxigenado com o não oxigenado ou ainda a formação de um único ventrículo. Pode ainda haver a combinação de malformações.

Sintomas 
Nos bebês, os sintomas podem ser notados durante as mamadas, quando há o cansaço excessivo e transpiração, o que também pode acontecer durante o sono. Dificuldade no ganho de peso, irritação frequente e ainda cianose, que é caracterizada pela ponta dos dedos e/ ou lábios arroxeados. Em crianças maiores, o cansaço pode ser notado durante as atividades físicas ou até mesmo na dificuldade de acompanhar o ritmo de outras crianças, crescimento e ganho de peso de forma inadequada, infecções pulmonares repetidas, taquicardia ou ainda lábios roxos e pele pálida quando brinca muito. Pode haver ainda episódios de desmaios precedido de tontura, visão turva, dores no peito e mal-estar.

Complicações

Algumas situações verificadas em ultrassom merecem ser mais bem investigadas com exames específicos. Fetos que apresentem alteração na translucência nucal (detectada no ultrassom de 12 semanas) ou malformação em algum outro órgão ou fetos com suspeita de síndromes ou defeitos genéticos merecem atenção redobrada. As síndromes mais comumente associadas à cardiopatia são: Síndrome de Di George, Síndrome de Down, Síndrome de Edwards, Síndrome de Marfan, Síndrome de Noonan, Síndrome de Patau, Síndrome de Turner e Síndrome de Williams Nos casos das situações listadas, a realização do ecocardiograma fetal é muito importante, mesmo que o ultrassom morfológico esteja normal. Assim podemos detectar ou excluir uma cardiopatia e programar o nascimento do bebê, proporcionando uma gravidez mais tranquila para toda a família.



Fonte de informações: Sociedade Brasileira de Cardiologia.
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