Profissionais largam carreira para cuidar de familiares

13 abril 2016 | Postado por Casinha da Cys


Abandonar a carreira, a rotina e os hábitos em prol dos cuidados de alguém pode parecer uma atitude extrema para alguns, mas para outros é necessidade. Seja por uma doença terminal ou incapacitante, cuidar de um familiar nessa situação exige tempo e dedicação praticamente integral, o que na maioria das vezes prejudica as relações interpessoais e a vida profissional. 
Por ser uma situação que demanda preparo psicológico do cuidador, é preciso ficar atento às reações de cada um nesse processo de mudança, pois uma pessoa que abdica de sua vida em prol do cuidado do outro pode, se não estiver emocionalmente fortificada, desenvolver depressão, estresse, angústia exacerbada e baixa autoestima. Isso ocorre porque, apesar de ser uma demonstração de afeto e compaixão pelo próximo, cuidar de um familiar pode ser emocionalmente desgastante, tendo em vista a dedicação total que a atitude exige.
Cuidar de alguém em estado terminal também faz com que a relação entre o cuidador e o doente entre em uma nova fase. “A pessoa não existe mais da maneira que conhecíamos, então precisamos fazer uma ressignificação do relacionamento que temos com ela. Ao contrário do que muitos pensam, o luto não está ligado apenas à morte, mas quando há uma quebra de vínculo de qualquer natureza. É possível, portanto, que as pessoas iniciem o processo de luto mesmo que o familiar esteja vivo”, explica Mariana Simonetti, psicóloga do luto do Morada da Paz. 
Trata-se de um processo que afeta de maneira significativa a maneira de lidar com a morte do familiar. “O luto é uma experiência singular e individual. É natural ouvirmos de quem passou por essa experiência que elas já estavam preparadas para a morte do parente, justamente por acompanhar todo o processo. Outros passam a vivenciar um luto com culpa, achando que não fizeram o bastante ou não estiveram presentes o suficiente. Estes casos demandam mais cuidados”, diz Mariana. 
No entanto, é possível viver esse momento sem que a saúde do cuidador seja prejudicada emocionalmente ou psicologicamente, com sintomas como gastrite e insônia. Para isso, o auxílio psicológico precisa ser buscado de imediato. É importante que o cuidador tenha o suporte de alguém e o psicólogo é de extrema importância nesse processo, pois a pessoa pode desabafar e falar o que sente sem se sentir culpado, apenas no intuito de retirar um pouco o peso da situação.



Texto: Anderson Lima




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